Disclaimer (emocional)
Este é um espaço pessoal de reflexão e libertação emocional. Este espaço pode conter afirmações fortes, polémicas e, eventualmente, chocantes. Se sofre de extrema sensibilidade (e falta de sentido de humor), este espaço não é adequado para si. Se tem problemas mal resolvidos com os autores dos textos, se não gosta deles, se a mera existência de tais pessoas o irrita, o melhor é não visitar este espaço. O melhor…para si. Porque o ódio, a irritação, a raiva, a necessidade extrema de libertação de bílis (em geral, os maus fígados), fazem mal. E nós não nos queremos sentir responsáveis pela sua saúde. Já nos basta a nossa. Desde já avisamos que não teremos qualquer contenção escrita ou gráfica e que não seremos responsáveis pela sua infelicidade.

Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

Just print more money, already!

Eu não percebo, juro que não percebo. Os EUA queixam-se que não há dinheiro. A Europa queixa-se de que não há dinheiro. Portugal queixa-se de que não há dinheiro…
Por causa disso, baixam-se os salários e diminuem-se as prestações sociais. As pessoas ficam assustadas e mudam as suas rotinas. Deixam de ir jantar fora ou de comprar aquela coisinha desnecessária que lhes dava tanto prazer. Os restaurantes ficam vazios, as lojas fecham. Mais pessoas ficam sem emprego, sobe o recurso às prestações sociais, logo há mais custos.
Por da crise, as taxas de juro descem, mas os bancos precisam de compensar no spread e torna-se impossível comprar casa. A indústria da construção civil (a grande responsável por alimentar qualquer país industrializado e, em especial, Portugal) ressente-se, perdem-se contratos de trabalho, fecham fábricas e empresas. Mais crise, mais prestações sociais, há cada vez mais custos.
As classes média e baixa são as principais visadas, mas ao Estado não lhe parece mal. Afinal, os muito ricos são pessoas importantes e necessárias para a economia e as empresas não podem pagar a factura, pois são o motor de uma economia de mercado.
O problema é que os muito ricos não pagam impostos e eu, que sou de classe média, pago uma taxa de 40% sobre o meu rendimento…
O problema é que as empresas não pagam impostos, mas eu não tenho por onde fugir e deixo até de poder deduzir os custos com a saúde, que são necessários, porque o serviço público é uma miséria para quem não é muito importante ou não tenha amigos médicos directores de serviços…
O problema é que os muito ricos não alimentam a economia. Os muito ricos investem em bens de importação e colocam o dinheiro no estrangeiro. Enquanto eu, que sou de classe média, vou todos os anos para o Algarve e vou comer fora 2 a 4 vezes por semana. Os muito ricos compram na Dolce&Gabana (que tem cerca de 5 empregados) e eu compro na Zara (que tem mais de 60 lojas no mundo inteiro e, só em Portugal, sustenta cerca de 4.000 postos de trabalho).

O problema é que as empresas portuguesas não reinvestem os seus lucros na melhoria das condições de trabalho, dos serviços ou da capacidade competitiva. As empresas portuguesas exploram a maioria dos seus trabalhadores com longas horas de trabalho, tarefas repetitivas e vazias e total ausência de regime de mérito ou recompensa pela iniciativa, tornando os portugueses cada vez mais miseráveis. Já eu, que sou de classe média, dou emprego à Beta, e por 6 horas semanais pago-lhe 550 euros. A Beta tem flexibilidade de horário, sai mais cedo ou é dispensada sempre que é possível, não vê descontado qualquer valor quando tem que faltar por motivo justificado e recebe horas extraordinárias quando tem que ficar para além do seu tempo de trabalho. Se não fosse eu, com a idade que tem e o perfil laboral, a Beta estaria agora a receber o rendimento mínimo, com certeza.

Mas é mais fácil atacar a classe média. Ou esses malandros dos funcionários públicos. Como eu, que sou de classe média e funcionária pública…

Por agora, eu ainda vou comprando e comendo fora e tendo férias. Mas se o ataque se intensificar, nem eu vou poder sair da loja com um saquinho na mão. E quando isso acontecer, como é que a economia vai sobreviver?

You know what, just print more money already!

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