
Sou anarca liberal de esquerda.
Sou naturalmente anarquista por isso tenho uma desconfiança natural ante a autoridade e só consigo cumprir as regras nas quais acredito.
Sou emocionalmente liberal, por isso acredito que os afectos não podem obedecer a regras escritas e rejeito qualquer imposição comportamental no plano social.
Sou socialmente de esquerda, por isso defendo a igualdade de circunstâncias e de acesso à felicidade.
Sou anarca liberal de esquerda, mas não deixei de pensar.
Sou anarca liberal de esquerda, mas não sou estúpida.
Por isso, nestas eleições, voto PS.
Trabalhei, nos últimos 3 anos, para o Governo, no Ministério da Justiça. Trabalhei com o Governo. Esta circunstância não me quebra a imparcialidade. Já aqui confessei ter votado BE nas europeias (também já expliquei o porquê deste voto). O próximo governo não conta comigo, porque nos próximos 2 anos vou estar em dedicação exclusiva à Faculdade e ao Doutoramento.
Levei, para o Governo, as minhas convicções e consegui sair do Governo com as mesmas convicções. Entrei para o Governo convictamente, tinha votado PS nas legislativas. Votarei de novo PS, convictamente.
Talvez tenha tido uma ideia romântica deste governo, antes de fazer parte dele. Entrei convencida de que este Governo ia mudar o mundo. Não mudou o mundo, mas mudou Portugal.
Entrei no Governo no auge das políticas reformadoras, mais de um ano após terem iniciado funções. Uma das reformas incidia sobre os sub-sistemas de saúde, que introduziam uma desigualdade muitas vezes pouco justificada entre classes profissionais (verdadeiros privilégios de classe) e iam criando rombos no orçamento de Estado. O Ministério da Justiça tinha um sub-sistema de saúde. Quando entrei, deram-me os papéis para preencher e beneficiar do sistema de saúde do MJ. Era uma adesão muito benéfica para mim. Apesar de ser um sistema condenado a desaparecer, ainda iria estar em funcionamento durante quase 1 ano. Recusei. Fui a única no MJ a fazê-lo. Achei que seria contraditório, da minha parte, defender esta reforma, estar no Governo, e beneficiar dos últimos suspiros de um sistema injusto.
Foi assim que estive, mais de 3 anos, no Governo. Nos primeiros dois anos, trabalhei mais do que trabalharia para qualquer privado. Passei muitas noites e muitos fins-de-semana no MJ. Fiz tudo o que me tinha sido pedido para fazer. Neste último ano, com quase tudo feito, pude descansar um pouco. Achei justo que assim fosse.
Porque é que voto PS?
Porque conseguiram diminuir o índice de insucesso escolar, fechando todas as escolas com menos de 10 alunos.
Porque criaram, pela primeira vez, um sistema integrado de gestão escolar.
Porque permitiram que, pela primeira vez, haja quem mande numa escola pública (só um idiota é que acredita na auto-gestão).
Porque conseguiram diminuir o índice de mortalidade neo-natal, fechando todas as maternidades que não tinham boas condições de atendimento em casos de urgência.
Porque, praticamente, eliminaram as listas de espera no Serviço Nacional de Saúde (aliás, hoje sabe-se exactamente quem está em lista de espera e quanto tempo espera, em média, e só isto, constitui uma revolução no SNS).
Porque remodelaram e reconstruíram vários hospitais.
Porque deram fôlego aos genéricos, e fizeram frente às marcas de medicamentos (e criaram as farmácias hospitalares).
Porque simplificaram o atendimento nos serviços públicos, flexibilizaram os horários e diminuíram muitos dos custos para os cidadãos (vejam o programa Simplex).
Porque contribuíram para moralizar o sistema político-partidário e tiveram a coragem de fazer algumas reformas necessárias (limites de vencimento e uniformização dos vencimentos, novas regras para a cumulação de reformas e pensões, limites de mandatos, etc.).
Porque melhoraram tremendamente as condições em meio prisional (eliminaram o balde higiénico e fizeram obras em todos os EP’s, fecharam os que não tinham solução, e vão construir de raiz todo um novo parque prisional).
Porque informatizaram a justiça e fizeram uma revolução no que respeita ao acesso ao tribunal e à tramitação processual.
Porque fizeram obras ou estão a reconstruir quase todos os tribunais do país (ver Campus da Justiça).
Porque reformaram o sistema de apoio judiciário e terminaram com a lamentável prestação de centenas de estagiários nos tribunais, criando um sistema de avenças para Advogados.
Porque são o primeiro Governo a ter resultados francamente positivos no combate à fraude fiscal.
Porque conseguiram, após anos de falhanços, aprovar um sistema de responsabilidade civil do Estado pelos erros dos seus serviços (apesar da resistência do Cavaco, claro).
Porque puseram fim à morte sem glória de dezenas de mulheres, descriminalizando a interrupção voluntária da gravidez e dando-lhes um lugar no serviço público.
Porque deram uma identidade aos animais, que deixam de ser considerados como “coisa” e passam a ser titulares de direitos e merecedores de protecção.
Porque foram incansáveis a trabalhar, eu sei, porque estive lá.
Porque nunca nenhum governo fez tanto em Portugal.
E, se perderem estas eleições, será a derrota mais injusta da história de Portugal.
Mas será uma derrota merecida.
Porque este Governo falhou em muitas coisas. Tudo coisas sem importância para o futuro de Portugal, mas muito importantes nas discussõezinhas da treta dos media (porque em Portugal, falta-nos o sentido de Estado).
Este Governo falhou na linguagem, no modelo de comunicação das reformas. Todas as reformas foram boas para o país, mas muitas passaram por reforma negativas, só por uma questão de linguagem.
Este Governo falhou porque caiu na tentação da soberba, foram arrogantes e menosprezaram a necessidade de apaziguar.
Este Governo falhou porque, em muitos sectores, ficou aquém do que se esperaria de um Governo de esquerda. Faltou-lhes a coragem em alguns aspectos e faltou-lhes o dinheiro, noutros.
Desta vez, voto sem saber o que esperar de um próximo Governo PS.
Voto PS, porque, infelizmente, sei muito bem o que esperar de um Governo PSD/CDS.
Se o PS não fizer muito mais do que já fez e mantiver o que está feito, já é muito melhor do que qualquer coisa que o PSD/CDS alguma vez fizeram.
Sou naturalmente anarquista por isso tenho uma desconfiança natural ante a autoridade e só consigo cumprir as regras nas quais acredito.
Sou emocionalmente liberal, por isso acredito que os afectos não podem obedecer a regras escritas e rejeito qualquer imposição comportamental no plano social.
Sou socialmente de esquerda, por isso defendo a igualdade de circunstâncias e de acesso à felicidade.
Sou anarca liberal de esquerda, mas não deixei de pensar.
Sou anarca liberal de esquerda, mas não sou estúpida.
Por isso, nestas eleições, voto PS.
Trabalhei, nos últimos 3 anos, para o Governo, no Ministério da Justiça. Trabalhei com o Governo. Esta circunstância não me quebra a imparcialidade. Já aqui confessei ter votado BE nas europeias (também já expliquei o porquê deste voto). O próximo governo não conta comigo, porque nos próximos 2 anos vou estar em dedicação exclusiva à Faculdade e ao Doutoramento.
Levei, para o Governo, as minhas convicções e consegui sair do Governo com as mesmas convicções. Entrei para o Governo convictamente, tinha votado PS nas legislativas. Votarei de novo PS, convictamente.
Talvez tenha tido uma ideia romântica deste governo, antes de fazer parte dele. Entrei convencida de que este Governo ia mudar o mundo. Não mudou o mundo, mas mudou Portugal.
Entrei no Governo no auge das políticas reformadoras, mais de um ano após terem iniciado funções. Uma das reformas incidia sobre os sub-sistemas de saúde, que introduziam uma desigualdade muitas vezes pouco justificada entre classes profissionais (verdadeiros privilégios de classe) e iam criando rombos no orçamento de Estado. O Ministério da Justiça tinha um sub-sistema de saúde. Quando entrei, deram-me os papéis para preencher e beneficiar do sistema de saúde do MJ. Era uma adesão muito benéfica para mim. Apesar de ser um sistema condenado a desaparecer, ainda iria estar em funcionamento durante quase 1 ano. Recusei. Fui a única no MJ a fazê-lo. Achei que seria contraditório, da minha parte, defender esta reforma, estar no Governo, e beneficiar dos últimos suspiros de um sistema injusto.
Foi assim que estive, mais de 3 anos, no Governo. Nos primeiros dois anos, trabalhei mais do que trabalharia para qualquer privado. Passei muitas noites e muitos fins-de-semana no MJ. Fiz tudo o que me tinha sido pedido para fazer. Neste último ano, com quase tudo feito, pude descansar um pouco. Achei justo que assim fosse.
Porque é que voto PS?
Porque conseguiram diminuir o índice de insucesso escolar, fechando todas as escolas com menos de 10 alunos.
Porque criaram, pela primeira vez, um sistema integrado de gestão escolar.
Porque permitiram que, pela primeira vez, haja quem mande numa escola pública (só um idiota é que acredita na auto-gestão).
Porque conseguiram diminuir o índice de mortalidade neo-natal, fechando todas as maternidades que não tinham boas condições de atendimento em casos de urgência.
Porque, praticamente, eliminaram as listas de espera no Serviço Nacional de Saúde (aliás, hoje sabe-se exactamente quem está em lista de espera e quanto tempo espera, em média, e só isto, constitui uma revolução no SNS).
Porque remodelaram e reconstruíram vários hospitais.
Porque deram fôlego aos genéricos, e fizeram frente às marcas de medicamentos (e criaram as farmácias hospitalares).
Porque simplificaram o atendimento nos serviços públicos, flexibilizaram os horários e diminuíram muitos dos custos para os cidadãos (vejam o programa Simplex).
Porque contribuíram para moralizar o sistema político-partidário e tiveram a coragem de fazer algumas reformas necessárias (limites de vencimento e uniformização dos vencimentos, novas regras para a cumulação de reformas e pensões, limites de mandatos, etc.).
Porque melhoraram tremendamente as condições em meio prisional (eliminaram o balde higiénico e fizeram obras em todos os EP’s, fecharam os que não tinham solução, e vão construir de raiz todo um novo parque prisional).
Porque informatizaram a justiça e fizeram uma revolução no que respeita ao acesso ao tribunal e à tramitação processual.
Porque fizeram obras ou estão a reconstruir quase todos os tribunais do país (ver Campus da Justiça).
Porque reformaram o sistema de apoio judiciário e terminaram com a lamentável prestação de centenas de estagiários nos tribunais, criando um sistema de avenças para Advogados.
Porque são o primeiro Governo a ter resultados francamente positivos no combate à fraude fiscal.
Porque conseguiram, após anos de falhanços, aprovar um sistema de responsabilidade civil do Estado pelos erros dos seus serviços (apesar da resistência do Cavaco, claro).
Porque puseram fim à morte sem glória de dezenas de mulheres, descriminalizando a interrupção voluntária da gravidez e dando-lhes um lugar no serviço público.
Porque deram uma identidade aos animais, que deixam de ser considerados como “coisa” e passam a ser titulares de direitos e merecedores de protecção.
Porque foram incansáveis a trabalhar, eu sei, porque estive lá.
Porque nunca nenhum governo fez tanto em Portugal.
E, se perderem estas eleições, será a derrota mais injusta da história de Portugal.
Mas será uma derrota merecida.
Porque este Governo falhou em muitas coisas. Tudo coisas sem importância para o futuro de Portugal, mas muito importantes nas discussõezinhas da treta dos media (porque em Portugal, falta-nos o sentido de Estado).
Este Governo falhou na linguagem, no modelo de comunicação das reformas. Todas as reformas foram boas para o país, mas muitas passaram por reforma negativas, só por uma questão de linguagem.
Este Governo falhou porque caiu na tentação da soberba, foram arrogantes e menosprezaram a necessidade de apaziguar.
Este Governo falhou porque, em muitos sectores, ficou aquém do que se esperaria de um Governo de esquerda. Faltou-lhes a coragem em alguns aspectos e faltou-lhes o dinheiro, noutros.
Desta vez, voto sem saber o que esperar de um próximo Governo PS.
Voto PS, porque, infelizmente, sei muito bem o que esperar de um Governo PSD/CDS.
Se o PS não fizer muito mais do que já fez e mantiver o que está feito, já é muito melhor do que qualquer coisa que o PSD/CDS alguma vez fizeram.
P.S.: E agora, a explicação do título. Trata-se de um ditado inglês, equivalente ao “Em equipa vencedora, não se mexe”. Pode aplicar-se bem a este Governo PS. Para lá das contestações – é normal, quando se fazem reformas, que os grupos de pressão se manifestem – a verdade é que as mudanças, para melhor, são sentidas por todos os que utilizam os serviços públicos. Por todos os que vivem, efectivamente, neste país. E, por isso, o PS merece uma outra oportunidade…

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